Incubadora
Não é porque eu sou viciada em relacionamentos. O problema é outro. E nem é porque ainda penso se vou ligar ou fingir que esqueci. É a minha ansiedade orgânica de prematura que fala mais alto. É a minha exigência por acontecimentos. É a minha mania de ler sempre a última página do livro para já saber o final. Antecipo histórias e, por favor, não me peça para ir devagar. Por muito tempo, acreditei ser assim mesmo a vida de quem não sabe o que quer. E adianta saber? Eu sempre soube e vejam só: cá estou eu, escrevendo para aliviar a tensão. Para exercitar a paciência. Faz parte também qualquer procedimento alvoraçado e o fato de eu não conseguir sequer ouvir uma música por inteiro. Passo a faixa antes que ela termine porque não gosto de fins. Televisão, rádio e computador ligados e dispostos a interações simultâneas. É o muito que me prende. Nada menos que muito. E tem que ser muito mesmo, de não conseguir aguentar, sustentar. De precisar dividir e não querer. De querer por pra fora. De sufocar. E se eu sufoco na dúvida, é porque não tive coragem de perguntar. As vezes, sou tanto que me esqueço de mim. Esqueço se é pra ser assim mesmo ou não. Esqueço de te falar alguma coisa. Me angustia esse início e suas sutilezas. Eu as aumento e as torno grosseiras, quando necessário. Me angustia a percepção de tudo e isso é mais forte que eu. Reparo as vírgulas perdidas, memorizo as falas, relembro os gestos. E recomeço – quando tudo parece antigo demais para isso. Abro a porta e aguardo a sua chegada, mesmo quando ainda está no elevador. E odeio quando ele é impedido de prosseguir para que o vizinho descarregue as compras. Entenda o porquê de eu não esperar pelo descarregamento alheio. Estou aqui. Já nasci assim, sendo. Gosto do antes, do logo, do agora. Que horas são no seu relógio?
Filed under: Uncategorized | 1 Comentário
Mais uma coisa igual. Ansiedade também é meu maior defeito!