Haverá…?

14ago10

Eu prefiro a verdade inteira. Não aquela em goles, líquida, em soluços mal resolvidos, em previsões caseiras. Eu prefiro a verdade crua, na cara, abatida, pálida, recém chegada ao mundo e sólida. Recém nascida. Eu prefiro a verdade que doi – por ser verdade – e alimenta a vida, fazendo com que o impulso para seguir em frente supere a necessidade da dúvida e o medo de não existir mais. Mais o que? Torna-se vício aquilo que a gente não conhece. Deve ser pra aprender mais. E eu aprendi a não ter medo de ser. Depois de tudo, é só você. E eu prefiro assim: a inteligência, o domínio, a natureza sábia. Eu prefiro a qualquer outra coisa vulgar e carregada demais. Tudo que é de graça tem seu preço.

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Nunca fiquei bebada. Nunca me perdi assim, por alguma coisa. Preciso de consciência a todo tempo, de olhar nos olhos, de falar a verdade. De atentar a tudo, mesmo quando pareço desatenta. Só Deus sabe o que se passa aqui dentro. Sorte é que nasci sem a necessidade de adaptações. Eu me caibo. Aprendi a fazer minhas próprias unhas e a cuidar do próprio cabelo porque tenho horror a qualquer sensação de dependência. Em muitos casos, dispenso opiniões. Corro demais para não acreditar em tempo perdido e durmo pouco. Então, certo dia, li no horóscopo sobre uma fase propícia para novos relacionamentos. E eu, que não acredito em previsões, sorri porque algum astro bondoso resolveu acalmar o meu coração acelerado. E acelerado por quê? Não me dei conta, mas é assim que as coisas acontecem.


Incubadora

01ago10

Não é porque eu sou viciada em relacionamentos. O problema é outro. E nem é porque ainda penso se vou ligar ou fingir que esqueci. É a minha ansiedade orgânica de prematura que fala mais alto. É a minha exigência por acontecimentos. É a minha mania de ler sempre a última página do livro para já saber o final. Antecipo histórias e, por favor, não me peça para ir devagar. Por muito tempo, acreditei ser assim mesmo a vida de quem não sabe o que quer. E adianta saber? Eu sempre soube e vejam só: cá estou eu, escrevendo para aliviar a tensão. Para exercitar a paciência. Faz parte também qualquer procedimento alvoraçado e o fato de eu não conseguir sequer ouvir uma música por inteiro. Passo a faixa antes que ela termine porque não gosto de fins. Televisão, rádio e computador ligados e dispostos a interações simultâneas. É o muito que me prende. Nada menos que muito. E tem que ser muito mesmo, de não conseguir aguentar, sustentar. De precisar dividir e não querer. De querer por pra fora. De sufocar. E se eu sufoco na dúvida, é porque não tive coragem de perguntar. As vezes, sou tanto que me esqueço de mim. Esqueço se é pra ser assim mesmo ou não. Esqueço de te falar alguma coisa. Me angustia esse início e suas sutilezas. Eu as aumento e as torno grosseiras, quando necessário. Me angustia a percepção de tudo e isso é mais forte que eu. Reparo as vírgulas perdidas, memorizo as falas, relembro os gestos. E recomeço – quando tudo parece antigo demais para isso. Abro a porta e aguardo a sua chegada, mesmo quando ainda está no elevador. E odeio quando ele é impedido de prosseguir para que o vizinho descarregue as compras. Entenda o porquê de eu não esperar pelo descarregamento alheio. Estou aqui. Já nasci assim, sendo. Gosto do antes, do logo, do agora. Que horas são no seu relógio?


Ele tem um brilho especial – e não por conta de seus habituais vestuários coloridos e inteiramente notáveis. Mika, cantor e compositor libanês radicado em Londres, ganhou a minha atenção em 2007, quando assisti pela primeira vez ao videoclip de “Gracy Kelly”, single energético, corajoso e cheio de aspirações, onde o artista enuncia em alto e boníssimo som: “I tried to be like Grace Kelly but all her looks were too sad. So I tried a little Freddie I’ve gone identity mad!“. O suficiente. Mika é digressivo e desconvencional, ao mesmo tempo que compacto e comum. Recentemente, descobri, porventura atrasada, “Happy Ending”, mais uma canção de sonoridade extremamente agradável do libanês – e linda – cujo videoclip se destaca pelo processo criativo. Dirigida pela dupla inglesa Alex e Liane, a produção combina o lúdico com uma dimensão de cores e efeitos de animação, o que compensa o fato de a música possuir uma letra excessivamente realista, beirando o pessimismo. Os diretores utilizam-se de elementos infantis para dispor as cenas e imprimem a personalidade evasiva do artista em um roteiro que corre antagonicamente a seu texto: “Happy Ending” é leve e faz com que, mais uma vez, Mika brinque e brinde os acontecimentos; sonhando com um final feliz, assim como eu e você – mesmo que, a cada amanhecer, seja acordado pelo despertador.

Vale um click.


Bendito Pesce!

26jun10

Não sou fã de indumentárias plastificadas, tão pouco das históricas Melissas, porém, recentemente, vi o modelo ankle boot da nova coleção de verão 2011 da marca, denominada Amazonista, e, para minha surpresa, gostei. É uma linha especial assinada pelo italiano Gaetano Pesce, um dos mais importantes nomes do design e da arquitetura internacional. Em entrevista para a Folha de São Paulo (que está de parabéns pelo novo formato, aliás!), Pesce afirmou que seu principal interesse era criar um produto cujo design pudesse ser totalmente customizado pelo consumidor. E assim o fez. Formada por círculos interligados e vazados, a Melissa permite ser recortada aleatoriamente e possui conceitos pautados na maleabilidade do plástico e na interatividade. Para limar com qualquer curiosidade visual, segue foto do modelito, que só chegará às lojas em agosto.

#euquero


Dunga

21jun10

Ontem, o Brasil, ou, no mínimo, grande parte dos telespectadores do Fantástico, assistaram ao comportamento tirano do técnico da nossa seleção brasileira de futebol com a imprensa. Não é de hoje que ambos possuem um relacionamento “litigioso”, certamente, alimentado pelo próprio. O fato é que, ao ofender, em coletiva, o jornalista Alex Escobar,  a briga foi comprada não só com a Rede Globo, rede de televisão responsável pela transmissão oficial do Mundial e emissora para qual o jornalista trabalha, como com toda a classe jornalística e sociedade. É lamentável a falta de educação e de respeito que o Dunga demonstrou em relação aos nossos jornalistas (e a todo o povo brasileiro). Falta de senso, falta de cuidado, falta de preocupação. Falta de humanidade, de maturidade, de paciência. Ora, vejam só: o que falta agora, após agredir verbalmente um profissional que presta serviço ao nosso país, tanto quanto ele? Assustadora negligência. Eu, sincertamente, senti muito, assim como sinto estarmos nas mãos de um governo omisso. Não se trata de questões corporativistas, de defesa à profissão (e, é óbvio, que muito sinto por, particular e profissionalmente – fazer parte do grupo). É um problema comportamental. O Dunga provou não estar em um pleno estado de desenvolvimento e sabedoria. Uma criança mimada que possui o melhor brinquedo e, por conta disso, se vê no direito de jamais emprestá-lo. Julgamentos existirão sempre. Agrados e desagrados também. Falta de educação e intolerância, principalmente, para um profissional como ele, e com o peso da representatividade que possui é inaceitável. Lamentável.


Saramago Vive

18jun10

Acordei com a notícia. Estranho. Eu já tinha até esquecido que essas coisas poderiam acontecer. Não era imortal? Triste. De tanto lê-lo, parecia bem aqui. Do lado. Próximo. Não mais. Aconteceu de ser assim, alguma coisa de distância e fim. Não mais palavras. Ainda há aquelas outras. Aquelas muitas e muitas outras. Ininterruptas. Dizia que há coisas que nunca se poderão explicar por palavras. E como? Se sempre explicou “crispadamente recolhido e mudo, que quem se cala não poderá morrer sem dizer tudo”. E ele disse, calado. O meu agradecimento ao gênio José Saramago, por sua existência e contribuição à língua portuguesa. Eterno.


Fashion Rio = muitas sacolas e brindes. Olhem esse da Ju Faro pra L’Officiel. Curtem? Lacinho da lamê….


E depois da lágrima, a alma acordou. Calma.  Mas ela é tão bonita e nem sabe, assim, quando sorri. Mas ela é tanto que não vê. Me disse que tem medo de ser… e quem não é? Aprendi que depois de uma certa idade, a gente se valoriza – disseram. Aprendi que depois de uma certa idade a gente não aprende – eu disse. Apenas acostuma a entender. Enteder é assim, tem dessas coisas. Envelhecer também. Mas eu sou tão jovem. E ela é sempre assim: cantando, ouvindo, andando. Acredita que para ser muito, precisa ser total. Ai, o céu pequeno já cabe aqui: na mão de quem não sabe ler, na mesma mão que já foi lida. Hoje, eu chorei com saudade de você e entendi que o costume de entender não foi suficiente. Eu não aprendi sem você. E eu chorei por não saber o que dizer, mas te liguei pedindo desculpas e dizendo que não podia desligar o telefone daquele jeito. Você me entendeu e disse para eu não me sentir culpada. Eu amo você. Assim, desse jeito estranho, brigando e querendo sempre mais, porque é por amor. Amo você porque sou você, a cada dia, e eu não suporto me ver fora de mim. Temos a maior proporção dividida. Ela grande, entende que é para todo dia o cuidado. E que viver é isso mesmo. Sem saber, só sendo. Alguém olhou pra trás e descobriu que estava errado. Lá no fundo, o que eu mais queria era isso: assim, nós todos. Sabe o que ele me disse? Mais que tudo na vida. Os meus dois números me fazem crer que é o momento de estar lá. E eu vou. Por que não? Não mais assuta. Meu abrigo, em mim, me oferece o conforto. Ela não mais teme. Nem eu. Nem você. Nem nós, juntos.


Cortei. E não me arrependi.


Um dia, você disse que tinha medo. Medo de eu não gostar mais de você. Medo do dia em que eu te deixaria, pois você já previa todo o nosso acontecimento. Você nos previu. Um dia, eu disse que nunca. E era pra sempre. Então, você chorou e eu te olhei. Não chorei junto. Os seus olhos prenderam os meus, aos poucos, e eu me assustei, pois te vi despido de toda preocupação sobre qualquer possibilidade de exibição intelectual. Eu te vi sem gosto e sem cheiro: cru, e te quis, ainda assim. Você pediu para que eu fosse sincera. E sempre sincera. E me pediu para que não desistisse de você. Eu, ainda assustada, não entendia porque me pedia tanto, mas eu dizia sim e você era o meu único sim. Peço desculpas, pois, na verdade, não tive paciência naquele momento. Eu só queria ir para a casa. Nunca gostei do jeito como as coisas aconteciam quando você estava triste. Eu me agitava de um jeito estranho, pois a sua tristeza era infinitamente menor que a minha, ao te ver cair. Eu precisava de você feliz, para que eu estivesse também.
E eu disse que nunca deixaria de amar você. Não menti, entende? Amei, enquanto amei. Amei muito. Ao olhar pra baixo e, automaticamente, diminuir o tom da voz, eu percebia que podia fazer mais. Você não estava bem. Pela primeira vez, assumiu. Honesto, cruel, claro. Assumiu o medo de me perder, porque, um dia, eu perceberia que você não era mais o mesmo. E nunca foi. E eu só queria ir para a casa. O sol da sua varanda me incomodava o suficiente para eu desejar entrar. Não tive coragem. Eu fiquei muda. Ouvia você como a amiga que nada diz, mas compreende. Só que eu nunca compreendi o seu esforço contrário para me manter bem.
Hoje, eu percebo que éramos um contra o outro. E eu não ganhei de você. Eu ganhei, agora, o que eu sempre quis pra mim. E você me ajudou a perceber que nada é mais importante que isso. Obrigada.


Vou te ligar. Você sabe, eu gosto de você. A bateria acabou. Não vi a sua chamada. O carro quebrou. Estou sem dinheiro. Preciso estudar. É aniversário da minha avó. A ligação estava ruim. Fiquei online e você não apareceu. Desculpa. Pensei que não estivesse em casa.

Quem nunca gostou de um idiota?

A verdade é que quando você está afim do cara, qualquer desculpa esfarrapada como “o problema não é você, sou eu” soa, dolorosamente, natural. Sem que haja a necessidade ridícula da dúvida, todas querem achar o grande amor. Aquele cara recém saído de uma comédia romantica onde tudo dá errado para que no final dê certo.

Na vida real, todos os erros são engolidos para esse triunfante fim que nunca chega da maneira como você imagina.

Mulheres têm a terrível capacidade de acreditar em tudo: até em propaganda de shampoo. O fato é que são tão mais inteligentes e capazes que acreditam, ou acham que podem acreditar, até no proibido. (Lê-se proibido aquelas figuras humanas do gênero masculino com inexplicável falta de habilidade em se tornar Gente, com G maiúsculo. Digo, homem com H).

Peraí. Queremos pessoas de verdade. É difícil encontrar pessoas? E acredite, este não é um desabafo-recalque. É apenas um discurso de quem tem, agora, noções tão óbvias sobre tudo isso que chegam ao comico.

Os tipos básicos destas figuras humanas estão por toda parte e podem ser facilmente identificadas. O problema é que nem sempre essa identificação é desejada. São elas: homens comprometidos e capazes de jurar para Deus e toda a torcida do Flamengo que é você quem ele ama. Homens que fumam tanto que esquecem o seu nome e a data do seu aniversário. Homens que jogam futebol (e que se inspiram em ícones do segmento como Ronaldinho, Adriano, Patos e Gansos)….

Tem aquele da rodinha de violão, exibido, prepotente e desafinado. Aquele que, no auge de um romance digno do Manoel Carlos, resolve viajar para o exterior.

Existem os homens online – torcedores oficiais do time de relacionamento via scrap/email/menssenger.com (Estes devem ser bloqueados da vida!).

Tem o filósofo. O cinéfilo. O grudento. Tem o alternativo e o playboy. Tem aquele que acredita ser a vida uma calça da Diesel (jamais se relacione com um homem mais íntimo de um espelho que você). Tem um banana. O gay. Tem o que você nunca quis, mas como nunca é uma palavra muito forte, você resolve até que quer querer. E é inútil. E tem aquele que, enfim, é ELE.

Parece tão óbvio quanto um chocolate na TPM. Tão óbvio quanto a voz do Chico para o coração palpitar e as letras do Caetano para você lembrar que “quando a gente gosta é claro que a gente cuida”.

Tão óbvio quanto você lembrar que, não importa quantas figuras humanas do gênero masculino existam e passem pela sua vida, o importante mesmo é a foto principal: você.


Acabei de falar sobre o Formspring no Twitter. Falei daquele jeito: meio rápido, meio ultrapassando os limitados 140 carcteres. Meio tentando não escrever demais. Impossível.

Aderi à moda e admito que é relexante, quase terapeutica. É incrível o poder de uma ferramente que transforma anônimos, em celebridades e agrada o ego humano através de um sentimento simples, mas certeiro: o egocentrismo.

Lá, a pauta é você. E você, reflexivo como si só, escreve, escreve, escreve, dando-se conta de que não havia pensado naquilo antes. Alguns filosofam, outros adotam um perfil mais comportado, do tipo “respondo apenas o essencial”. O fato é que tudo isso não passa do confessionário de um big brother virtual.  A superexposição na autoexposição. É juvenil, regressor, oriundamente curioso e… eu gosto.


Segundo resultado da pesquisa realizada pelo Ibope, na sexta-feira, 5 de março, apenas 6% das brasileiras têm o hábito de comprar pela Internet, ou seja, apesar do crescimento da web no pais, shoppings e comercio de rua continuam sendo os locais preferidos do público feminino.  A pesquisa, referente às compras pessoais (as domésticas não foram incluídas), foi baseada em entrevistas feitas com 19.456 pessoas de ambos os sexos, com idades entre 12 e 64 anos, entre os meses de agosto de 2008 e agosto de 2009, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza e Brasília, além de outras cidades menores. 

Na prática: qual a graça de não poder provar ou ousar combinações diferentes – ao vivo e a cores?  

O mercado se sustenta pela emoção. E, hoje, com a alta dos conceitos e práticas virtuais e a supervalorização da Internet, marcas, cada vez mais, se curvam a apelos e diferenciais capazes de atender às necessidades humanas, com base no pessoal. Diálogos, comunicação e transparência, na hora de vender, são palavras chaves. O momento das compras é, para muitas mulheres, renovação. Conseguir alinhar isso às exigências do mercado é fundamental, pode garantir a fidelização do cliente e, ainda, sair na frente, em relação ao consumo virtual.

Particularmente, eu acredito que nada substitui o prazer de ir à sua loja preferida. Comprar pela internet tem lá suas vantagens, como preços diferenciados, mas, para as consumistas de plantão, não compensa a espera pelo produto, a impossibilidade de experimentá-lo e a ausência de todas as sensações que só um provador oferece. É tecnologia demais. Na dúvida, fico com o bom e velho “Oi! Só estou dando uma olhadinha…”.


Um estudo publicado na revista “Social Psychology Quarterly” indica que homens que traem tendem a ter um quociente de inteligência (QI) mais baixo que aqueles que são fiéis. O autor do estudo, Satoshi Kanazawa (sim, um homem!), especialista em psicologia evolutiva da London School of Economics and Political Science,considera ainda que a fidelidade dos homens é um sinal da evolução da espécie na medida em que, ao longo da história da evolução, os homens sempre foram “relativamente polígamos” e, acrescento, educados a se autoafirmarem a todo custo, muitas vezes, com base em valores como a infidelidade e o machismo. Não é à toa que uma traição feminina abala tantos os valores essenciais à masculinidade… O fato é que muitos deles acreditam que oportunidades não se desperdiçam.

“Homens mais inteligentes estão mais propensos a valorizar a exclusividade sexual do que homens menos inteligentes”, afirma.

Concordo.


A atriz espanhola Penélope Cruz foi considerada a mulher que melhor representou o “padrão da moda dos prêmios Oscar” dos últimos 20 anos graças ao vestido Versace que usou na edição de 2007, segundo o ranking da revista “Entertainment Weekly”. Quer saber mais? Clique  aqui!


Teoria é um conhecimento especulativo, puramente racional. A humanidade adora teorias. Diziam até, por exemplo, que futebol não era coisa para mulher.

Agora, vos digo: eu tenho uma teoria. E afirmo, com ela, que futebol não é e nem deixa de ser coisa limitada para um determinado alguém, seja lá quem ele for. Não se define. É amor. E nem Vinicius definia amor. Amam homens, mulheres, crianças. Amam os animais.

E eu, que jurava jamais me render, hoje não penso em outra coisa. Então eu vi que não é questão de querer, é domínio. E o meu time, Ah! O meu time me domina! E também independe de sexo. E de idade. É o amor para toda vida. Aquele primeiro amor, que faz o coração acelerar a cada encontro e o peito apertar, na ansiedade de saber se vai dar certo ou não. Futebol é borboleta no estômago. É o namoro com a certeza do eterno. E é o perdão, mesmo quando as coisas não vão lá essas coisas…

É de mulher, sim senhor. E de homem também. É coisa de macho. Mas é coisa de fêmea, por que não? De pequeno, de grande, de quem nem sabe o que quer, mas gosta.

Futebol é comoção nacional. É a casa do sentimento contido e, despretensiosamente, revelado a cada passe. É chutar o pau da barraca, sem ter medo do ridículo. São cores. As minhas três cores. É apropriar-se, com emoção, de um coletivo tão particular. E ser um só nome, vestindo-o dos pés a cabeça.

É torcer o futebol. Ir para campo, mesmo sem sair de casa. Gritar ou calar, esperando que o melhor aconteça. Extasiar segundos antes daquele pênalti decisivo. E chorar, como criança, de emoção ou frustração.

Acontece nas melhores famílias. É comparação. E é relacionamento, logo, comunicação.

É história, espelho, voz, corpo, movimento. É poético, textual, lingüístico… Sinestésico. Futebol é nacional e Brasileiro. Verde e amarelo, em essência. Para mim, verde, branco e grená, por amor.

O futebol tem vida. E como toda vida que se preze, não se isenta do surpreendente.  

Eu me surpreendi e aconselho, sob uma teoria fundada, que todo mundo deve experimentar. É mais que esporte – e olha que ser esporte já é bastante! É levar na esportiva e no coração. Representar, permitindo reconhecer-se por tamanha preferência. E é ter orgulho de ser. É escolha, liberdade, paciência. É referência, identificação e declaração.

O meu futebol é tricolor. Tem fé. E é corajoso, assim como eu. Assim como nós que sabemos acreditar. E a vida o que é, se não a crença e o brinde, diário, pelo milagre de existir?

É tri, como o sagrado, e eqüilátero, como a justiça. É memória e é o caminho sem volta, quando já me sinto tão dele, e ele, quando muito já me é. O meu futebol em três cores deslumbra-se. É o inexplicável divino, o mistério e o acontecimento. É gestação e nascimento. E é destino.

Sou fluminense.

E ser fluminense é ser paz. Um centro altruísta, capaz de complacentemente olhar o outro, sem esquecer-se de si próprio. Não é ego. É amor. E é inteligência, na medida em que aprecia vitórias com humildade e encara derrotas de cabeça em pé – entendendo, assim, a sútil diferença estabelecida entre ser e estar. O Fluminense sabe ser… eterno.

Possui gestos fortes, mas nunca violentos; e é seguro, jamais tirano.

E concluo, sem teoria, que na preservação do que não se vê, o Fluminense simplesmente é.

E já ser é muito. Eu sinto. É existencial, é saber crescer e, acima de tudo, é amor próprio.


This is Love

02nov09

Segundo nota publicada hoje pela agência EFE, devido ao sucesso de bilheteria, “This is it”, filme que divulgou cenas exclusivas de Michael Jackson durante o ensaio da turnê de mesmo nome que o cantor realizaria em julho deste ano, teve o período de exibição prolongado para três semanas nos EUA (aqui no Brasil, o prazo de apenas duas semanas continua!). 

A notícia não é novidade, se tratando dele. Michael foi o único homem, na música, capaz de tornar o novo, propriedade própria. Não houve e nem haverá igual. Público, extraordinária e desmedidamente público, concentrava na imagem de mito as tentativas de milhares de pessoas em entendê-lo, como uma necessidade de definição e compreensão. 

“This is it” não só é o registro de cenas, até então, inéditas de um projeto do artista. O filme exibe a dedicação de um homem altamente profissional e preocupado em agradar quem ama e quem o ama.

É amor do começo ao fim.

Da escolha dos bailarinos à formação de cada acorde musical,  Michael participava e, sutilmente, sugeria alterações. Fala sobre o amor pela natureza, a importância dos ensaios e a preocupação em fazer com que os fãs conseguissem sentir a verdade no show.

É encantador e surpreendente – quase familiar.

Cenas de um homem invencível – que voa e literalmente incendeia o palco – e que realizava, com simpleza, a perfeição. Um super herói fragilizado capaz de chorar de felicidade e de dor. E de amar. Muito. Imortal: na música, nos jeitos (e trejeitos), no que acreditava e no que – sempre – se propôs a fazer.

Em nada sugere o fim. Não é triste, não é melancôlico. É lindo. E emociona. 

Assistam!


boyfriend-jeans-estilo

Depois da onda saruel, mais um estilo invade o guarda roupa feminino e desta vez, a invasão é sugerida por uma ideia de readaptação. A necessidade de que sejam salientadas as diferenças entre os sexos, através da aparência, já soa tão last year quanto a copa de 94: cada vez mais, peças do universo masculino transmutam para o feminino (e vice versa). 

Apresentadas como uma das tendências do verão 10, as calças boyfriend abriram espaço para um novo gênero. São as calças masculinas, usadas por mulheres, que compõem um visual mais largadão e (muito) mais confortável. Aqui no Brasil, marcas como M.Officer e Ellus já incorporaram o estilo ao católogo, mas a melhor opção mesmo – e mais barata – é adotar as peças do namorado. Sabe aquela calça que ele não usa mais? Aproveite! Vale também experimentar a do irmão, pai, vizinho…


vogueitaliaEm 2007, o estilista norte americano Marc Jacobs já os havia representado muito bem: hoje, os adeptos da “moda-mendigo” viraram referência e são vistos com looks cada vez menos pretenciosos. O fato é que desarrumar está em alta (e desfila de mãos dadas com a ousadia!).

A négligence-chic, também conhecida como neo-grunge, é marcada pela presença de texturas diferenciadas e por uma aparência cuidadosamente desalinhada, que resultam na forma regressiva e descontruída do grunge. Além da tendência nude, maxi-acessórios, xadrez,sobreposições, cachecóis, chapéus e oversizes  são composições certas deste estilo que possui fortes referências undergrounds e brinca com a idéia de um luxo urbano.

Eu, particularmente, a-do-ro! Estou, inclusive, pensando em aproveitar este momento favorável à criação de leis no país  (por exemplo, a que derruba a exigência do diploma de jornalismo) para criar a minha lei de obrigatoriedade masculina à adesão da moda-mendigo. Tem coisa mais cafona e desnecessária que um homem passar horas em frente ao espelho se arrumando?


Louann Brizendine, uma psiquiatra norte-americana, afirmou no livro “O Cérebro Feminino” que as mulheres falam muito mais que os homens. Muito mais. São, em média, 20 mil palavras por dia. Já os rapazes, parecem satisfeitos com a capacidade de manter monólogos, diálogos e afins com apenas sete mil. A pesquisa foi realizada em São Francisco, mas não me restam dúvidas: o resultado é universal.

Conciliando a oportunidade de ouvir a vida alheia com a tentativa de amenizar o tédio estabelecido em um dos transportes coletivos mais populares no Rio de Janeiro, o metrô, por alguns segundos, me tornei a mais nova integrante da vida de minha colega de banco. Hoje, de manhã, soube da existência de uma menina muito falante que passava por problemas. Nada muito sério. Ela usava óculos, era um pouco descabelada e usufruía da companhia de uma amiga – a ouvinte direta dos causos.

Soube que ela estava morando sozinha e que tinha pavor de deixar as janelas de casa abertas. Podia chover, pois o “tempo não Rio andava muito instável graças ao aquecimento global.”. Somente o basculante do banheiro ficava semi-aberto. Os pais dela eram separados e acredito que não herdou nenhum trauma referente à separação. Era muito natural. O pai namorava a Lúcia, uma empregada doméstica que ganhava, aproximadamente, dois mil reais com as faxinas diárias e era constantemente presenteda com colchas e toalhas pela patroa, uma pessoa muito generosa. Lúcia era egoísta, ganhava mais que o pai da menina e ainda por cima não dava nenhuma colcha a ele, o que já estava deixando o coitado bastante irritado. Além disso, a doméstica – cansada de fazer tudo na casa alheia – não se dava ao trabalho nem de tirar um par de meia do lugar na casa do namorado. Lucia e o pai da menina não se falam por dois dias. A protagonista também falou sobre suas oscilações sentimentais – enquanto a amiga nada dizia. Com um certo ar de lamentação, confessou ter terminado com o Rogério porque pensava muito mais na família que no futuro do namoro. “Não tinha como dar certo”, alegava. Eu compreendi, é claro. Família é família – mesmo que, naquele momento, o meu maior desejo fosse que ela se mantivesse calada por mais de cinco segundos, o que, obviamente, não foi possível. Eu ainda precisava me esforçar para acompanhar o ritmo da prosa. O Rogério era total passado. O Dan, que namorava uma amiga da Bernadete, que é amiga da menina de óculos, falante e descabelada, vai ser papai. Mas que raios de namorada grávida ele tem que não o deixa ver a barriga? Pois é: todos estão desconfiados que a namorada do Dan, que morre de ciúme da descabelada de óculos e falante por já ter sido uma ficante fixa do mesmo, não está grávida coisíssima nenhuma e ainda copiou uma foto falsa de uma ultra qualquer para colocar no álbum do Orkut. Meu Deus! Se ao menos o Dan soubesse…


A escritora romena radicada na Alemanha, Hera Müller, foi a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura deste ano. A autora de “O Compromisso” é a 12ª mulher a receber o título, entregue desde 1901. Nomes como Saramago, García Márquez e Neruda também já foram contemplados. Um brinde a nós!


Música é universal. Nos anos 60, o Brasil, em pleno regime militar, utilizava o poder dessa arte para dizer alguma coisa, que já não pudesse ser dita. Nas entrelinhas, gritavam por liberdade. Foi instaurada a “Era dos Festivais”.

O compositor e músico Oswaldo Montenegro, revelado pelos festivais da década de 80, comentou sobre comunicação, a relação entre música e política, a influência da indústria fonográfica na formação da identidade cultural brasileira e o atual cenário musical do país.

Só conferir:

Oswaldo, como você define a sua relação com a música? A minha relação com a música começou na minha família, que é muito musical.  Minha mãe e meus avós tocavam piano, meu pai tocava violão e isso se aprofundou quando eu fui morar em São João Del Rey, que é uma cidade no interior de Minas muito boemia e muito poética. Meu pai e minha mãe traziam aqueles boêmios todos pra minha casa e saíamos para serenatas. A musica entrou assim na minha vida: ela entrou “irmã” e veio conduzida pela idéia do afeto. 

Com “Canção para ninar irmã pequena”, anos 13 anos de idade, você participou do primeiro festival de música, no Rio de Janeiro. Conte sobre essa experiência: foi coisa de garoto. Naquela época, os festivais eram constantes. Havia festivais de cinco em cinco minutos. Isso facilitava muito para um compositor iniciante como eu. Foi uma experiência muito boa, talvez a minha primeira vez em público.  

Explique como aconteceu o processo de contrato com  a gravadora Som Livre, em 1975, e as dificuldades, na década de 70, existentes em relação a isso.  Em Brasília, eu conheci, através de projetos que participei, Dory Caymmi, Luis Essa, Hermínio Belo de Carvalho… pessoas de muita importância na música brasileira e que me trouxeram para o Rio. Estas pessoas me apresentaram às gravadoras e eu comecei. Realmente tudo aconteceu na minha vida muito cedo.

Em 1979, você foi apresentado ao grande público, no Festival de MPB, da TV Tupi, com a canção Bandolins, que ficou em 3º lugar. O que mudou na sua vida profissional a partir deste momento? Fale sobre a importância e a influência que este festival, em particular, teve na sua vida: mudou tudo. O meu primeiro disco – Poeta Maldito, Muleque Vadio – feito pela Warner, foi um grande fracasso, mesmo com os investimentos da gravadora. Então eu estava completamente condenado. Eu tive um fracasso misterioso, a gravadora gastou muita grana e o disco não vendeu nada. Então, o festival me salvou. Quando eu coloquei Bandolins no festival, a música explodiu e, até hoje, já vendeu mais de cem milhões de cópias. Foi um susto pra mim: modificou a minha vida e viabilizou minha carreira. Os festivais têm uma importância muito grande, ou tinham uma importância muito grande, porque faziam com que a nossa música chegasse ao público de uma forma direta, isto é, sem passar pelo privo da gravadora e pela aprovação do radialista. Não tinha o  julgamento do que estava entre o artista e o público. Bandolins foi considerada, pela gravadora, uma música muito complicada, pois não tocaria nas rádios. O festival fez com que ela tocasse. Ele abreviou e encurtou este caminho. Realmente a minha vida muda completamente a partir do dia que Bandolins foi lançado em festival. Foi decisivo!

A fama foi inevitável. A sua experiencia com o trabalho “Poeta Maldito” não tão favorável quanto à participação no festival de 1979 e o sucesso do seu segundo LP. Como tudo isso foi encarado? Na verdade, eu sempre tive uma atitude muito saudável em relação à fama: eu acho que a fama, primeiro, é uma consequência. Hoje em dia, existe uma doença em relação à fama, uma busca e uma obsessão que vai em direção à fama vazia. Famoso não é profissão.  A fama é uma consequência de um trabalho bem feito e é muito relativa. Eu tenho, graças a Deus, na minha obra, muitas músicas que são famosas no sentido mais popular do termo, outras que são famosas no sentido mais segmentado. Eu tenho peças musicais que fazem sucesso no âmbito do teatro, musicas que fazem sucesso no âmbito da televisão ou do rádio. Tenho músicas, agora com a vinda da internet, que são as musicas mais pedidas do show, como, por exemplo, A Lista e Metade – que eu nunca apresentei na televisão. Então, hoje em dia, o sucesso é relativo e a fama também. A minha posição em relação a isso é muito firme e e muito saudável. Eu não tenho um lugar aonde quero chegar ou um tipo de fama que quero ter. Eu tenho consciência que trabalho no que gosto e isso é um privilégio.

Como foi a repercussão social da sua participação no Festival dos Festivais, em 1985, com a música “O Condor”? (a música seria para uma peça sobre Castro Alves e contou com um coro de 25 negros no momento da interpretação) A repercussão foi muito grande e a música fez muito sucesso. O coro era muito forte e, na verdade, não tinha nenhuma conotação de querer “fazer a presença”. Os negros realmente tinham um timbre de voz muito interessante para esse tipo de coisa e Castro Alves foi um poeta abolicionista. Eu juntei isso e foi uma volta minha! Mais uma vez, eu voltava para o tal do sucesso popular.

Os festivais podem ser vistos como uma resposta ao que ocorria na década de 60 com a ditadura. Havia toda uma tensão dos participantes e do público, que respondia e julgava, através da arte, o que não podiam expressar politicamente. As canções eram de resistência ao regime. Hoje, como você analisa, politicamente, esse movimento? Bom, naquele momento todo mundo estava do mesmo lado. Todo mundo era contra a ditadura, todo mundo era a favor da democracia e queria a anistia. Então, de uma certa maneira, era mais fácil ideologicamente porque era um tempo de certeza absoluta. Hoje em dia, nós todos temos liberdade e a liberdade e a democracia trazem essa dificuldade. Agora, a opinião é mais sutil, o julgamento é mais difícil. Aquela época era um pouco cômoda, você gritava “Baixo a ditadura” e todo mundo te aplaudia pra caramba! Hoje em dia, é uma época mais complicada, mas é, obviamente, uma época melhor porque toda época democrática é melhor.

A intensidade das canções de protesto aos poucos se perderam devido ao aumento brutal das ações militares. Essa postura diminuiu a liberdade de criação e de expressão dos artistas e, de certa forma, uma cultura política. A música ficou popular. Você acredita que isso tenha subtraído a postura politico-ideológica dos festivais, diluindo as intenções criticas e, consequentemente, transformando a musica em uma grande industria fonográfica? Não. Acho que não, o que faz a música se tornar industrial é o fato de ter uma indústria. A gravadora e o sistema que rege a música são uma indústria e é isso que a torna industrial. Parece óbvio e é óbvio: é um produto e há uma necessidade de venda e de lucro. Na medida em que se tem essa necessidade, há o medo de errar e isso sim faz com que a criatividade seja tolida. Por um outro lado, há um paradoxo: todo artista que aceita isso acaba desaparecendo, todo artista que aceita ser limitar para ser comercial desaparece e não vende. Se você reparar bem, as pessoas que duraram e vendem muito até hoje são pessoas criativas e originais. É engraçado! Com a industria da música, você tem que ser educado, delicado… mas você não pode ceder! Ela te pede pra se anular e depois te joga fora porque você se anulou. Você tem que manter a sua marca. O que faz um artista acontecer hoje em dia, e permanecer, é ter uma marca, é ter personalidade. A música, muito mais do que talento, ou além de talento, é a coragem!

Como era a atuação da censura na arte? Eu peguei o final da censura nos festivais. O festival de 60 era muito mais bravo. Eu peguei, como autor de teatro, a censura me enchendo bastante o saco e era muito chato! A gente tinha que apresentar peças à censura antes de estrear para o público. E os caras cortavam, as vezes, sem nenhum critério. Cortavam por loucura.

Seria possível traçar uma linha evolutiva da MPB? Hoje, por exemplo, qual seria a definição para o nosso cenário musical? Eu acho que o nosso cenário musical, hoje, é, nitidamente, pós moderno, quer dizer, as conquistas estéticas que aconteceram eram mais ou menos assim: “queremos liberdade”. Não se podia usar o acorde tal, mas as pessoas usavam e isso era um passo a frente. Não se podia misturar guitarra com berimbau, mas as pessoas misturavam e também era um passo a frente. Hoje em dia, pode tudo! Então, estamos nesse momento, não há uma conquista estética a ser feita. É um momento em que cada um deve ser pessoal e sincero. É a única coisa que nos resta, é fazer uma coisa verdadeira porque conquistas estéticas brutais já aconteceram, agora pode tudo! E se pode tudo, só nos resta a sinceridade.

Atualmente, as tentativas à realização de novos festivais não vnigam. Como você justifica esta questão: o desinteresse é muito maior da indústria ou do próprio público? Eu acho que televisão é hábito, em primeiro lugar. A pessoa já sabe que aquela novela é tal hora, que o programa é tal hora. O festival deixou de ser hábito. A comunicação de massa, através da TV, vive do público já saber o que esperar. Na década de 70, o cara assistia ao festival que nem assistia ao “flamengo e vasco”, ele tinha uma música que torcia, e isso desapareceu. Para haver uma volta dos festivais, teria que ter primeiro um grande investimento da televisão de fazer isso virar hábito de novo. Seria feito um festival e ele não vingaria. Depois o segundo, o terceiro… e no décimo daria certo. Além disso, acho que teria de renovar a fórmula que soa um pouco antiga e um pouco déja vu. O público rejeita. Novas fórmulas, como festival interativo, festival com clip junto, com multimídia, com várias artes misturadas e alguma coisa que nos desse, realmente, a sensação de que o festival agora era uma nova coisa. Eu apoio porque apoio tudo que possa facilitar ao artista novo. Hoje, eu canto como contratado nos festivais e faço questão de ir, primeiro porque é meu trabalho e ganho dinheiro com isso, e segundo, porque eu quero apoiar qualquer coisa que dê ao músico novo, uma oportunidade. É muito difícil começar. Não agora.. sempre foi difícil. Começar sempre é muito difícil, então, tudo o que pode apoiar a cultura a gente dá força.

Como você encara a era digital?  Positivamente. Eu acho que ela vai democratizar e o sucesso vai ser uma coisa muito sincera. O que existia antigamente chamado de “boca a boca”, agora chama-se “site a site”. O cara, em vez de dá o recado para um amigo dele, dá recado para 200 mil amigos dele.  É uma época muito democrática. Adoro essa época!

Ainda em relação à divulgação e a comunicação: hoje, sem a censura, a exposição é livre, mas a arte não surge como antes. Parece uma contradição, não? Parece. Eu não sei como vou explicar isso, mas a gente pode tentar pensar juntos: o produto médio, a qualidade média, hoje em dia, é muito fácil. Você, em um estudiozinho, em casa, pode fazer alguma coisa interessante e ser um produto bem acabado. Para que surja o grande artista, ele vai ter que sair dessa médica e ter personalidade. É um mundo em que todo mundo ficou muito parecido com todo mundo, então, o que vai determinar o surgimento do artista novo é ele ter peito, coragem, identidade, dele ter a capacidade de imprimir a digital dele. A idéia de seguir uma coisa que vai dar certo e a idéia de ir com a boiada está muito no ar.  A busca da fama faz a pessoa “virar boiada”. Somente quando a pessoa fizer o que der na cabeça dela, no sentido mais puro da palavra, ela pode se destacar. Somada ao talento, sempre!

Para finalizar, quais as impressões dos festivais na sua vida? A época dos festivais me salvou porque eu era um autor que a gravadora considerava complicado e intelectual. Eu só me tornei uma pessoa popular porque os festivais abreviaram esse meu caminho até o publico. Era completamente direto e isso só prova que o público é mais sofisticado do que as gravadoras pensam.

Assista ao vídeo do cantor, no Festival de MPB, em 1979, apresentando a canção Bandolins.

Obs: esta entrevista é parte do trabalho realizado  por mim para a Formação da Cultura Brasileira, FACHA, RJ.


Lizzie-Miller

A modelo plus size, Lizzie Miller, 20 anos, ilustrou, na última edição da revista americana Glamour, uma matéria sobre autoimagem e posou, quase nua, sem os costumeiros retoques do photoshop. A fotografia está repercutindo na web. Tudo isso porque Lizzie aparece com “uma barriguinha a mais” e desprovida de pudores ou frustrações em relação ao próprio corpo, cujo padrão estético é ignorado e pouco convencional na moda atual.

Dezenas de emails chegaram à redação da revista aprovando a pauta e a atitude da modelo. Enquanto inúmeras publicações são feitas em torno da “eterna busca por um corpo perfeito” e, por conseguinte (e na maioria das vezes), a disfuncional necessidade humana de ser aceito pelo outro, a página 194 da Glamour apostou na filosofia oposta: aonde está a beleza real de cada mulher e como a autoimagem – diretamente ligada ao autoconhecimento – determina importantes pontos do comportamento e do relacionamento humano.

A psicologia afirma que físico e psíquico andam de mãos dadas. Uma inadequação corporal e um sentimento de insatisfação, por exemplo, podem ser reajustados através da intervenção da própria imagem exterior. Hoje, são infinitos os recursos a favor da beleza: técnicas de emagrecimento, clínicas de estética, operações plásticas etc. O autoconhecimento coerente e o reconhecimento realista, quando alinhados, auxiliam na percepção do que pode ser mudado ou não na própria forma. A questão é quando esta percepção, influenciada por exigências externas, se distorce.

A matéria publicada pela Glamour levantou discussões importantes sobre como a mulher pode ser ilustrada – sem estereótipos – em uma revista feminina e a identificação que um produto trazido pela mídia oferece ao consumidor, além de levar em conta questões sobre o conceito (relativo) de beleza, aceitação e, basicamente, como o bem estar psicológico é o mais importante trunfo de uma boa aparência física.

O que torna um homem ou uma mulher bonitos? Definitivamente, não é a ausência de dobrinhas, pneus e afins.

Que atire a primeira pedra quem nunca pensou em mudar algo em si mesmo. É natural e referencial: o espelho são os outros. E, diga-se de passagem, é muito mais fácil e cômodo enxergá-los.

Beleza, pra mim, é quase espiritual. É bonito quem me desperta e quem me faz pensar nos porquês particulares que cada um abriga. Chico Buarque já canta “amo tanto e de tanto amar, acho que ela é bonita…”.


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Sob assumida influência do rock setentista, o novo CD de Nando Reis, Drês, lançado este ano, surpreendeu: é totalmente indentificável, seja por letra ou acorde.

“Eu curto muito essa época. Nasci em 1963, então nos anos 70 eu estava ouvindo muita música – meus pais, eu e meus irmãos comprávamos muitos discos, assisti a vários shows. Isso está impregnado em mim”, revelou o cantor em entrevista para o G1, o portal de notícias da Globo.

Musicalmente, o disco conta com arranjos pesados e está mais rock que os anteriores. Isso não mudou em nada a identidade artística do cantor. No quesito literário, as composições, construídas subjetivamente, oscilam entre sinestesia, lembranças e afirmações: falam de amor, da relação com a filha mais velha, Sofia, da morte da mãe e da ex-namorada, Adriana, homenageada no título do disco, o neologismo Drês, feito a partir da junção do apelido “Dri” com o número três, em referência à terceira parte da trilogia romantica realizada pelo cantor.

A cantora Ana Cañas participa do disco divindo com Nando os vocais de “Pra você guardei o amor”, cujo arranjo é pontuado pela percussão da LanLan.

Drês é o coração do Nando. De tão pessoal, o disco ficou universal. Está personalizado, original e poético. Tem vida. As músicas são cheias de imagens e sensações.

Para a crítica, é considerado o melhor álbum solo do cantor. Para os fãs, é a assinatura que faltava. Para Nando, é uma forma de enxergar o mundo: “nesmo que pareça excessivamente pessoal, é assim que eu enxergo o mundo – e espero que a minha visão seja compartilhada com quem me ouve”, finaliza.

Para ouvir, clique aqui.


Eu discordo!

24ago09

Hoje, o colunista Joaquim Ferreira dos Santos (Gente Boa, Segundo Caderno, O Globo) publicou uma nota sobre as calças saruel, referindo-se às mesmas como “a calça que tem um gancho bem baixo e dá um volume esquisito no vão entre as pernas”, além de tê-las batizado de “calça caguel”. (Desnecessário!). Essa semana, em uma loja do Rio, eu estava experimentando o modelo  (que, particularmente, adoro!) quando na cabine ao lado da minha, uma outra cliente provando o mesmo produto, questionou o namorado sobre o look. Ele foi taxativo: “Ficou horrível!  Essas calças parecem um saco de batatas!”. Ela, coitadinha, saiu tristonha e sem o tal saco.

Será implicância masculina? Que me perdoem Joaquim Ferreira e o namorado-da-cliente, mas eu discordo em gênero e número.


“Comecei a achar que essa coisa de cidade, da chamada civilização, estava indo para o beleléu. Cidades impossíveis de se viver. Parte cultural extremamente manipulada. Não existem nem críticos. Tudo é marketing.” (Comentário do fotógrafo contemporâneo Miguel Rio Branco para a Revista O Globo deste domingo, 23 de agosto, em relação à sua mudança para Araras, município paulista).


Análise dos filmes: Nascimento de uma nação (Griffith) e Um homem com uma câmera (Vertov) – marcos para a história do cinema mundial e para o uso da linguagem audiovisual por meio de técnicas e da inovação cinematográfica.

A comunicação, a relação e a interação desejada entre público-cena, a persuasão e a manipulação através da imagem são algumas das conseqüências que a linguagem audiovisual pode provocar. A idéia, na verdade, é o aposento de recursos explicativos no cinema, fazendo com que o telespectador absorva os truques de linguagem propostos. É como saber interpretar um bom texto…

Os autores buscam, com suas respectivas histórias e características, expressar e traduzir o poder que o audiovisual tem, e sua forma de influência coerente, através de uma narrativa e uma estrutura inovadora. O uso de recursos, até então, isolados na formação do cinema, passam a ser utilizados por esses autores. A estrutura é inovada, fazendo com que o “consumidor” se aproxime da história seja pela duração das cenas, pelo movimentação das câmeras ou pela maneira com que as mesmas, filmam o ator.

Os recursos não foram criados por esses diretores, mas eles, simplesmente, souberam usa-los como ninguém. Há a formação da realidade por um trabalho experimental, sem grandes necessidades de roteiro, encenação. O cinema começa a ganhar vida própria por uma linguagem internacional, com a ausência de realismo e o uso de todos os elementos técnicos cinematográficos do filme, gerando autoreflexividade e, simplesmente, falando por si. Com o “Nascimento de uma nação”, o filme do pai da linguagem cinematográfica, há o início da narrativa ficcional – que marcaria, a partir de então, o decorrer dos filmes seguintes –  sem a ligação tão explícita da literatura e da dramaturgia no cinema.

Em “Um homem com uma câmera” essa ligação já é praticamente abolida. Através de uma verdade documentada e do cinema-olho, o filme de Vertov não conta em nada com a ajuda de legendas, roteiros, atores ou cenário porque pretende marcar toda sua escrita na utilização e na forma com que coloca suas cenas, através da edição, do corte. A idéia é de como o homem pode se relacionar com a própria máquina, com a tecnologia e com o que não nasce dele, biologicamente, e a construção de uma nova sociedade a partir disso. Vale destacar também que ambos os filmes utilizam-se também de um recurso adotado por Poter constituído na simultaneidade ou paralelismo de cenas, desmistificando tempo e espaço. O peso de ambos os filmes é a narrativa cinematográfica onde se constitui e prevalece a narrativa visual, pelas imagens usadas com a intenção de comunicar algo ao espectador, sem a necessidade de recursos diretamente explicativos. Os recursos visuais utilizados valem por identificações essenciais da imagem, numa espécie de informação visual.


Fotografia é arte. Que jamais se torne esquecida a importância política e social do fotojornalismo de  Evandro Teixeira e Sebastião Salgado.  Aproveito o dia para comentar sobre o trabalho do fotógrafo, e grande amigo, Vincent Rosenblatt, que é francês e está no Brasil há sete anos.

Em 2002, ele criou a agência Olhares do Morro, que visa à inclusão de jovens de comunidades menos favorecida financeiramente no universo fotográfico. Mais que uma imagem, a fotografia é um ícone revolucionário na vida destes alunos. É sinônimo de oportunidade. Vale dar uma conferida no site e nas fotos abaixo, tiradas pelo próprio e pelos participantes do projeto.

Conheça mais sobre a história da Olhares através do espaço da agência no youtube.

Para os amantes da moda, o fotógrafo Nando Schubach apresenta ensaios belíssimos no site próprio, além de um blog cultural constantemente atualizado e com conteúdo para todos os gostos.

Por último, fica a dica aos cariocas: este é o último final de semana da exposição mundial World Press Photo, a mais importante de telejornalismo, em cartaz na Caixa Cultural, desde o dia 29 de julho. O Rio é a primeira cidade da America Latina a receber a exposição realizada pela agência World Press – responsável pela premiação anual das melhores imagens veiculadas pela imprensa internacional.


Fernanda

20ago09