“O nascimento de uma câmera”

22ago09

Análise dos filmes: Nascimento de uma nação (Griffith) e Um homem com uma câmera (Vertov) – marcos para a história do cinema mundial e para o uso da linguagem audiovisual por meio de técnicas e da inovação cinematográfica.

A comunicação, a relação e a interação desejada entre público-cena, a persuasão e a manipulação através da imagem são algumas das conseqüências que a linguagem audiovisual pode provocar. A idéia, na verdade, é o aposento de recursos explicativos no cinema, fazendo com que o telespectador absorva os truques de linguagem propostos. É como saber interpretar um bom texto…

Os autores buscam, com suas respectivas histórias e características, expressar e traduzir o poder que o audiovisual tem, e sua forma de influência coerente, através de uma narrativa e uma estrutura inovadora. O uso de recursos, até então, isolados na formação do cinema, passam a ser utilizados por esses autores. A estrutura é inovada, fazendo com que o “consumidor” se aproxime da história seja pela duração das cenas, pelo movimentação das câmeras ou pela maneira com que as mesmas, filmam o ator.

Os recursos não foram criados por esses diretores, mas eles, simplesmente, souberam usa-los como ninguém. Há a formação da realidade por um trabalho experimental, sem grandes necessidades de roteiro, encenação. O cinema começa a ganhar vida própria por uma linguagem internacional, com a ausência de realismo e o uso de todos os elementos técnicos cinematográficos do filme, gerando autoreflexividade e, simplesmente, falando por si. Com o “Nascimento de uma nação”, o filme do pai da linguagem cinematográfica, há o início da narrativa ficcional – que marcaria, a partir de então, o decorrer dos filmes seguintes –  sem a ligação tão explícita da literatura e da dramaturgia no cinema.

Em “Um homem com uma câmera” essa ligação já é praticamente abolida. Através de uma verdade documentada e do cinema-olho, o filme de Vertov não conta em nada com a ajuda de legendas, roteiros, atores ou cenário porque pretende marcar toda sua escrita na utilização e na forma com que coloca suas cenas, através da edição, do corte. A idéia é de como o homem pode se relacionar com a própria máquina, com a tecnologia e com o que não nasce dele, biologicamente, e a construção de uma nova sociedade a partir disso. Vale destacar também que ambos os filmes utilizam-se também de um recurso adotado por Poter constituído na simultaneidade ou paralelismo de cenas, desmistificando tempo e espaço. O peso de ambos os filmes é a narrativa cinematográfica onde se constitui e prevalece a narrativa visual, pelas imagens usadas com a intenção de comunicar algo ao espectador, sem a necessidade de recursos diretamente explicativos. Os recursos visuais utilizados valem por identificações essenciais da imagem, numa espécie de informação visual.

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One Response to ““O nascimento de uma câmera””

  1. 1 Wanderly

    adorei a analise e claro que deu vontade de ver 🙂


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