Meu melhor amigo desconhecido

14out09

Louann Brizendine, uma psiquiatra norte-americana, afirmou no livro “O Cérebro Feminino” que as mulheres falam muito mais que os homens. Muito mais. São, em média, 20 mil palavras por dia. Já os rapazes, parecem satisfeitos com a capacidade de manter monólogos, diálogos e afins com apenas sete mil. A pesquisa foi realizada em São Francisco, mas não me restam dúvidas: o resultado é universal.

Conciliando a oportunidade de ouvir a vida alheia com a tentativa de amenizar o tédio estabelecido em um dos transportes coletivos mais populares no Rio de Janeiro, o metrô, por alguns segundos, me tornei a mais nova integrante da vida de minha colega de banco. Hoje, de manhã, soube da existência de uma menina muito falante que passava por problemas. Nada muito sério. Ela usava óculos, era um pouco descabelada e usufruía da companhia de uma amiga – a ouvinte direta dos causos.

Soube que ela estava morando sozinha e que tinha pavor de deixar as janelas de casa abertas. Podia chover, pois o “tempo não Rio andava muito instável graças ao aquecimento global.”. Somente o basculante do banheiro ficava semi-aberto. Os pais dela eram separados e acredito que não herdou nenhum trauma referente à separação. Era muito natural. O pai namorava a Lúcia, uma empregada doméstica que ganhava, aproximadamente, dois mil reais com as faxinas diárias e era constantemente presenteda com colchas e toalhas pela patroa, uma pessoa muito generosa. Lúcia era egoísta, ganhava mais que o pai da menina e ainda por cima não dava nenhuma colcha a ele, o que já estava deixando o coitado bastante irritado. Além disso, a doméstica – cansada de fazer tudo na casa alheia – não se dava ao trabalho nem de tirar um par de meia do lugar na casa do namorado. Lucia e o pai da menina não se falam por dois dias. A protagonista também falou sobre suas oscilações sentimentais – enquanto a amiga nada dizia. Com um certo ar de lamentação, confessou ter terminado com o Rogério porque pensava muito mais na família que no futuro do namoro. “Não tinha como dar certo”, alegava. Eu compreendi, é claro. Família é família – mesmo que, naquele momento, o meu maior desejo fosse que ela se mantivesse calada por mais de cinco segundos, o que, obviamente, não foi possível. Eu ainda precisava me esforçar para acompanhar o ritmo da prosa. O Rogério era total passado. O Dan, que namorava uma amiga da Bernadete, que é amiga da menina de óculos, falante e descabelada, vai ser papai. Mas que raios de namorada grávida ele tem que não o deixa ver a barriga? Pois é: todos estão desconfiados que a namorada do Dan, que morre de ciúme da descabelada de óculos e falante por já ter sido uma ficante fixa do mesmo, não está grávida coisíssima nenhuma e ainda copiou uma foto falsa de uma ultra qualquer para colocar no álbum do Orkut. Meu Deus! Se ao menos o Dan soubesse…

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