Saramago Vive

18jun10

Acordei com a notícia. Estranho. Eu já tinha até esquecido que essas coisas poderiam acontecer. Não era imortal? Triste. De tanto lê-lo, parecia bem aqui. Do lado. Próximo. Não mais. Aconteceu de ser assim, alguma coisa de distância e fim. Não mais palavras. Ainda há aquelas outras. Aquelas muitas e muitas outras. Ininterruptas. Dizia que há coisas que nunca se poderão explicar por palavras. E como? Se sempre explicou “crispadamente recolhido e mudo, que quem se cala não poderá morrer sem dizer tudo”. E ele disse, calado. O meu agradecimento ao gênio José Saramago, por sua existência e contribuição à língua portuguesa. Eterno.

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E depois da lágrima, a alma acordou. Calma.  Mas ela é tão bonita e nem sabe, assim, quando sorri. Mas ela é tanto que não vê. Me disse que tem medo de ser… e quem não é? Aprendi que depois de uma certa idade, a gente se valoriza – disseram. Aprendi que depois de uma certa idade a gente não aprende – eu disse. Apenas acostuma a entender. Enteder é assim, tem dessas coisas. Envelhecer também. Mas eu sou tão jovem. E ela é sempre assim: cantando, ouvindo, andando. Acredita que para ser muito, precisa ser total. Ai, o céu pequeno já cabe aqui: na mão de quem não sabe ler, na mesma mão que já foi lida. Hoje, eu chorei com saudade de você e entendi que o costume de entender não foi suficiente. Eu não aprendi sem você. E eu chorei por não saber o que dizer, mas te liguei pedindo desculpas e dizendo que não podia desligar o telefone daquele jeito. Você me entendeu e disse para eu não me sentir culpada. Eu amo você. Assim, desse jeito estranho, brigando e querendo sempre mais, porque é por amor. Amo você porque sou você, a cada dia, e eu não suporto me ver fora de mim. Temos a maior proporção dividida. Ela grande, entende que é para todo dia o cuidado. E que viver é isso mesmo. Sem saber, só sendo. Alguém olhou pra trás e descobriu que estava errado. Lá no fundo, o que eu mais queria era isso: assim, nós todos. Sabe o que ele me disse? Mais que tudo na vida. Os meus dois números me fazem crer que é o momento de estar lá. E eu vou. Por que não? Não mais assuta. Meu abrigo, em mim, me oferece o conforto. Ela não mais teme. Nem eu. Nem você. Nem nós, juntos.


Cortei. E não me arrependi.


Um dia, você disse que tinha medo. Medo de eu não gostar mais de você. Medo do dia em que eu te deixaria, pois você já previa todo o nosso acontecimento. Você nos previu. Um dia, eu disse que nunca. E era pra sempre. Então, você chorou e eu te olhei. Não chorei junto. Os seus olhos prenderam os meus, aos poucos, e eu me assustei, pois te vi despido de toda preocupação sobre qualquer possibilidade de exibição intelectual. Eu te vi sem gosto e sem cheiro: cru, e te quis, ainda assim. Você pediu para que eu fosse sincera. E sempre sincera. E me pediu para que não desistisse de você. Eu, ainda assustada, não entendia porque me pedia tanto, mas eu dizia sim e você era o meu único sim. Peço desculpas, pois, na verdade, não tive paciência naquele momento. Eu só queria ir para a casa. Nunca gostei do jeito como as coisas aconteciam quando você estava triste. Eu me agitava de um jeito estranho, pois a sua tristeza era infinitamente menor que a minha, ao te ver cair. Eu precisava de você feliz, para que eu estivesse também.
E eu disse que nunca deixaria de amar você. Não menti, entende? Amei, enquanto amei. Amei muito. Ao olhar pra baixo e, automaticamente, diminuir o tom da voz, eu percebia que podia fazer mais. Você não estava bem. Pela primeira vez, assumiu. Honesto, cruel, claro. Assumiu o medo de me perder, porque, um dia, eu perceberia que você não era mais o mesmo. E nunca foi. E eu só queria ir para a casa. O sol da sua varanda me incomodava o suficiente para eu desejar entrar. Não tive coragem. Eu fiquei muda. Ouvia você como a amiga que nada diz, mas compreende. Só que eu nunca compreendi o seu esforço contrário para me manter bem.
Hoje, eu percebo que éramos um contra o outro. E eu não ganhei de você. Eu ganhei, agora, o que eu sempre quis pra mim. E você me ajudou a perceber que nada é mais importante que isso. Obrigada.


Vou te ligar. Você sabe, eu gosto de você. A bateria acabou. Não vi a sua chamada. O carro quebrou. Estou sem dinheiro. Preciso estudar. É aniversário da minha avó. A ligação estava ruim. Fiquei online e você não apareceu. Desculpa. Pensei que não estivesse em casa.

Quem nunca gostou de um idiota?

A verdade é que quando você está afim do cara, qualquer desculpa esfarrapada como “o problema não é você, sou eu” soa, dolorosamente, natural. Sem que haja a necessidade ridícula da dúvida, todas querem achar o grande amor. Aquele cara recém saído de uma comédia romantica onde tudo dá errado para que no final dê certo.

Na vida real, todos os erros são engolidos para esse triunfante fim que nunca chega da maneira como você imagina.

Mulheres têm a terrível capacidade de acreditar em tudo: até em propaganda de shampoo. O fato é que são tão mais inteligentes e capazes que acreditam, ou acham que podem acreditar, até no proibido. (Lê-se proibido aquelas figuras humanas do gênero masculino com inexplicável falta de habilidade em se tornar Gente, com G maiúsculo. Digo, homem com H).

Peraí. Queremos pessoas de verdade. É difícil encontrar pessoas? E acredite, este não é um desabafo-recalque. É apenas um discurso de quem tem, agora, noções tão óbvias sobre tudo isso que chegam ao comico.

Os tipos básicos destas figuras humanas estão por toda parte e podem ser facilmente identificadas. O problema é que nem sempre essa identificação é desejada. São elas: homens comprometidos e capazes de jurar para Deus e toda a torcida do Flamengo que é você quem ele ama. Homens que fumam tanto que esquecem o seu nome e a data do seu aniversário. Homens que jogam futebol (e que se inspiram em ícones do segmento como Ronaldinho, Adriano, Patos e Gansos)….

Tem aquele da rodinha de violão, exibido, prepotente e desafinado. Aquele que, no auge de um romance digno do Manoel Carlos, resolve viajar para o exterior.

Existem os homens online – torcedores oficiais do time de relacionamento via scrap/email/menssenger.com (Estes devem ser bloqueados da vida!).

Tem o filósofo. O cinéfilo. O grudento. Tem o alternativo e o playboy. Tem aquele que acredita ser a vida uma calça da Diesel (jamais se relacione com um homem mais íntimo de um espelho que você). Tem um banana. O gay. Tem o que você nunca quis, mas como nunca é uma palavra muito forte, você resolve até que quer querer. E é inútil. E tem aquele que, enfim, é ELE.

Parece tão óbvio quanto um chocolate na TPM. Tão óbvio quanto a voz do Chico para o coração palpitar e as letras do Caetano para você lembrar que “quando a gente gosta é claro que a gente cuida”.

Tão óbvio quanto você lembrar que, não importa quantas figuras humanas do gênero masculino existam e passem pela sua vida, o importante mesmo é a foto principal: você.


Acabei de falar sobre o Formspring no Twitter. Falei daquele jeito: meio rápido, meio ultrapassando os limitados 140 carcteres. Meio tentando não escrever demais. Impossível.

Aderi à moda e admito que é relexante, quase terapeutica. É incrível o poder de uma ferramente que transforma anônimos, em celebridades e agrada o ego humano através de um sentimento simples, mas certeiro: o egocentrismo.

Lá, a pauta é você. E você, reflexivo como si só, escreve, escreve, escreve, dando-se conta de que não havia pensado naquilo antes. Alguns filosofam, outros adotam um perfil mais comportado, do tipo “respondo apenas o essencial”. O fato é que tudo isso não passa do confessionário de um big brother virtual.  A superexposição na autoexposição. É juvenil, regressor, oriundamente curioso e… eu gosto.